domingo, 1 de junho de 2014

Replicantes à vista (resumo)

Replicante do filme Blade Hunner
Médicos norte-americanos divulgaram na década de 1990 uma pesquisa sobre clonagem de embriões humanos.

De fato, do ponto de vista técnico, pouco existiu de novo no anúncio feito por Jarry Hall, diretor do Laboratório de Andrologia e de Fertilização IN VITRO da Faculdade de Medicina da Universidade George Washington (EUA). Clonagem de embriões já era um assunto bem conhecido, especialmente em zootecnia. Com o gado, por exemplo, o que se faz é remover uma célula de um embrião, tomar um óvulo não fertilizado, retirar seu núcleo e, no lugar dele, colocar o do embrião. A partir daí, o desenvolvimento é normal.

Com seres humanos, existia mais um problema a enfrentar. Óvulos humanos são difíceis de se obter e, assim, era preciso arranjar um meio de prescindir deles. A solução foi encontrada pelo mesmo grupo que anuncia a clonagem. Os óvulos normais são revestidos por uma camada gelatinosa, constituída basicamente por proteínas e carboidratos, denominada zona pelúcida, que é essencial para proteger o embrião nos primeiros dias de desenvolvimento. No terceiro dia, quando o embrião se implanta na parede do útero, essa camada desaparece. Em 1991, Hall e colaboradores inventaram uma zona pelúcida sintética. Assim, bastava retirar uma célula de um embrião e revesti-la com essa zona pelúcida sintética e já se teria um novo embrião apto a se desenvolver.

Resumo da técnica utilizada pelos médicos americanos

Hall afirmou que preferiu fazer a clonagem às claras para que a polêmica se estabelecesse logo e se resolvesse afinal até que ponto se deve interferir com embriões humanos.

Apesar dos protestos e dos temores, o fato é que se estava muito longe da ficção científica na década de 1990, pois os métodos da época não permitiam clonar células já diferenciadas. Outro fator que distanciava o anúncio dos pesadelos de quem temia a massificação do processo de clonagem era o fato da técnica de Hall só tinha sucesso com embriões de duas células. Células retiradas de embriões maiores não se desenvolveram. 

Na ficção de Star Wars o exército de Stormtroopers foi gerado a partir da clonagem de um único guerreiro.

As retiradas de embriões de oito células só chegaram a se multiplicar até oito células e as retiradas de quatro células também não passaram disso. Só as obtidas a partir de embriões de duas células chegaram até 32, que é o tamanho que os embriões têm quando, elas pelas vias normais, se implantam. Quanto aos embriões resultantes de sua experiência pioneira, Hall afirma que os destruiu.

Esta reportagem foi publicada em novembro de 1993 na revista Ciência Hoje, fazendo referência ao artigo que saiu na revista americana Science, vol. 262, 29/10/1993. Anos depois o primeiro mamífero foi clonado, a ovelha Dolly. Tal procedimento foi feito a partir de células adultas: o núcleo de uma célula das glândulas mamárias de uma ovelha adulta da raça Finn Dorset (cabeça branca) foi transferido para um ovócito com núcleo removido de uma fêmea da raça Scottish Blackface (cabeça preta). Outra ovelha de cabeça preta gerou Dolly, que nasceu idêntica ao primeiro animal citado.
         
Esquema da geração da ovelha Dolly

Provando que com o passar do tempo os cientistas conseguiram fazer a clonagem a partir de células já diferenciadas, de glândulas mamárias. Diferentemente do que dizia na reportagem original, onde só era possível clonar a partir de células também embrionárias.

Embora as técnicas de clonagem tenham avançado nos últimos anos, a clonagem de seres humanos ainda está muito longe de acontecer. Além de alguns limites científicos, a questão ética e religiosa tem se tornado um anteparo para estas pesquisas com seres humanos. A embriologia e a engenharia genética têm feito pesquisas atualmente com células-tronco para a produção de órgãos animais através de métodos parecidos com a clonagem.

Fonte: ASSIS, João de Paula, Replicantes à vista. Ciência Hoje, nº 95, vol. 16, pg. 69, novembro de 1993.

Resumo elaborado por: Victoria Baschera
Universidade de Caxias do sul - Curso: Ciências Biológicas
Disciplina Embriologia Animal, 2013.
Professora: Gladis Franck da Cunha

3 comentários:

  1. Um assunto que causa muitas discussões, Além de alguns limites científicos, a questão ética e religiosa tem se tornado um anteparo para estas pesquisas com seres humanos. De um lado, as religiões, principalmente cristãs, colocam-se radicalmente contra qualquer experiência neste sentido.

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  2. Camila Escandiel3 de julho de 2014 15:26

    A relativa "novidade" das técnicas biogenéticas, com o avanço singular da ciência em tal direção, exige das lideranças culturais uma base sólida de intelecção, compromisso ético e, para completar o tripé: regras firmes, tanto quanto condizentes. Não se anuncia nada de apocalítico, nem se pode rejeitar pelo preconceito o formidável arsenal de experimentos que beneficiarão o homem .

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  3. Um assunto que ainda causa muito polêmica já que mexe com algo que é natural. Algo que na minha opinião nem tem o porque mexer, adaptar ou querer melhor, por um simples capricho humano.


    Everton da Silva

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